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Como a Qconcursos Faturou R$ 15 Milhões em 48 Horas com Lovable (e Vibe Coding)

Renato Asse

Como a Qconcursos Faturou R$ 15 Milhões em 48 Horas com Lovable

Quinze milhões de reais em dois dias. Esse número sozinho já chama atenção, mas não é o mais impressionante dessa história. O que realmente surpreende é como uma empresa consolidada, com 15 anos de mercado e 300 colaboradores, conseguiu lançar um produto premium completo em apenas duas semanas usando vibe coding.

A Qconcursos quebrou todas as regras tradicionais de desenvolvimento de software. Enquanto a maioria das empresas gasta meses em planejamento e mais meses em execução, a maior plataforma educacional do Brasil provou que existe outro caminho. Este artigo detalha como isso aconteceu e o que você pode aprender com essa experiência.

O Desenvolvedor Por Trás da Decisão Mais Arriscada

Caio Moretti, CEO do GrupoQ

Caio Moretti lidera o grupoQ há anos, mas sua relação com tecnologia começou muito antes. Ainda adolescente, sem recursos para comprar jogos, começou a criar seus próprios títulos no RPG Maker. Essa experiência moldou sua abordagem: usar o que está disponível para resolver problemas imediatos, sem esperar o cenário perfeito.

Vindo de uma região onde carreiras em tecnologia eram vistas com desconfiança, ele construiu sua trajetória alternando entre engenharia tradicional e desenvolvimento de software. Trabalhou com web, produtos digitais e inteligência artificial quando o tema ainda era nicho. Sua filosofia sempre foi clara: entregar soluções funcionais rapidamente importa mais que código perfeito seguindo todas as metodologias da moda.

Hoje, além de comandar uma das maiores edtechs brasileiras, Caio continua codando. Não por necessidade operacional, mas porque entende que a melhor forma de avaliar novas tecnologias é usando-as diretamente. Essa mentalidade hands-on foi decisiva quando surgiu a oportunidade de testar o Lovable em um projeto real.

A Pergunta que Mudou Tudo

Durante uma reunião estratégica, alguém questionou: a empresa estava preparada para lançar um produto totalmente desenvolvido com inteligência artificial? A questão não era apenas técnica. Era estratégica. O Qconcursos ocupava a posição de maior site educacional do Brasil em tráfego e 13º maior e-commerce nacional. Com meio milhão de estudantes ativos, cada decisão carregava peso considerável.

A equipe definiu que o teste precisaria ser significativo. Projetos pequenos não revelariam o verdadeiro potencial da tecnologia. A aposta seria alta ou não valeria o esforço. Estabeleceram dois princípios: primeiro, o prazo era desafiador mas não definitivo, o produto poderia atrasar sem consequências graves. Segundo, se os resultados decepcionassem, a retirada seria rápida e discreta.

Essa decisão não surgiu do nada. Em 2021, a empresa havia lançado um produto chamado caixa misteriosa, custando 450 reais, onde clientes compravam sem conhecer o conteúdo antecipadamente. A aposta foi bem-sucedida, demonstrando que a audiência confiava na marca o suficiente para experimentações ousadas. Com esse histórico, o terreno estava preparado para novos riscos calculados.

O momento decisivo veio quando decidiram que o novo produto seria o plano mais caro da história da empresa. Transformar uma companhia estabelecida há 15 anos, com operações consolidadas e centenas de milhares de usuários, lançando o produto mais premium em duas semanas. O risco era tão substancial que Caio assumiu pessoalmente a responsabilidade técnica.

Construindo um Produto Premium Sob Pressão

O escopo ia muito além de páginas simples ou ferramentas internas. O plano Elite precisaria oferecer transmissões ao vivo com interação em tempo real, incluindo chat e reações instantâneas entre alunos e professores. Diferentes formatos de exercícios, como associação de conceitos, preenchimento de lacunas e ordenação lógica. Sistema completo de simulados com rankings comparativos e atualizações dinâmicas. Planejamento de estudos personalizado que se renovava semanalmente. Integração perfeita com a plataforma existente através de autenticação unificada.

A stack escolhida foi Lovable para interface e Supabase para infraestrutura de dados. O processo inicial trouxe frustração. Caio reiniciou o desenvolvimento três ou quatro vezes porque o código gerado estava desorganizado e difícil de manter. A descoberta crítica foi entender que a ferramenta respondia à qualidade dos comandos fornecidos.

A metáfora que melhor descreve a experiência envolve carros de corrida. Imagine pilotar um Fórmula 1 profissional com dezenas de botões no volante, cada um controlando aspectos específicos do motor, suspensão e aerodinâmica. Agora imagine fazer isso como turista, onde você só controla direção, aceleração e freio. O Lovable tem toda a complexidade técnica nos bastidores, mas você interage apenas com comandos de alto nível.

A transformação aconteceu quando Caio parou de fazer pedidos genéricos e começou a especificar componentes detalhadamente. Em vez de solicitar um painel de estudos completo, descrevia cada seção individualmente: como deveriam se comportar, quais dados precisavam exibir, como deveriam reagir a interações do usuário. A abordagem passou a ser similar a delegar tarefas para um desenvolvedor júnior talentoso que precisa de instruções claras.

Velocidade Através de Feedback Estruturado

Tecnicamente, o desenvolvimento ficou concentrado em uma pessoa. A verdadeira aceleração veio da capacidade de obter feedback instantâneo de múltiplas áreas. Uma versão inicial era criada e imediatamente compartilhada com marketing para validação de mensagem. Depois circulava pelo design para ajustes visuais. Voltava para testes de usabilidade com potenciais usuários. Cada ciclo durava horas, não dias.

Essa dinâmica só funcionou porque a estrutura permitia decisões rápidas. Sem camadas burocráticas de aprovação, mudanças eram implementadas e testadas no mesmo período. Embora muitas pessoas contribuíssem com perspectivas e validações, poucas tocavam diretamente no código. O resultado foi colaboração ampla sem os problemas típicos de coordenação entre equipes grandes.

O lançamento seguiu uma estratégia simples. O produto entrou na prateleira digital junto com os planos existentes, sem campanha dedicada inicial. A empresa confiou que sua base de clientes fiéis descobriria e testaria naturalmente. Em 48 horas, três milhões de dólares em vendas confirmaram a aposta. A conversão aconteceu organicamente, impulsionada pela qualidade percebida e pela confiança acumulada ao longo de anos.

Um aspecto intrigante surge ao analisar os diferenciais competitivos. Apesar de toda tecnologia envolvida, os recursos mais valorizados pelos clientes eram profundamente humanos. Sessões síncronas para esclarecer dúvidas, conversas com psicólogos especializados em concursos, espaços para estudantes compartilharem experiências. O mercado estava saturado de cursos gravados e plataformas automatizadas. O Elite destacou-se justamente por reintroduzir contato genuíno entre pessoas.

Por Que Duas Semanas Foram Suficientes

Quando Caio explica o sucesso rápido, aponta três elementos fundamentais. O primeiro é experiência acumulada. Quinze anos observando comportamento de concurseiros, identificando padrões de estudo bem-sucedidos, entendendo gatilhos emocionais que motivam ou paralisam estudantes. Esse conhecimento profundo não surge da noite para o dia e não pode ser comprado ou copiado facilmente.

O segundo elemento é especificação precisa. Saber traduzir necessidades de negócio em requisitos técnicos claros. Isso exige tanto compreensão do domínio do problema quanto familiaridade com arquitetura de software. A capacidade de dizer exatamente o que precisa ser construído, como deve se comportar e quais casos extremos considerar.

O terceiro elemento é domínio das ferramentas. Não basta conhecer superficialmente o Lovable ou Supabase. É necessário estudar documentação, entender limitações, conhecer boas práticas, reconhecer quando a ferramenta é adequada e quando não é. Esse investimento em aprendizado faz diferença entre resultados medíocres e excepcionais.

A síntese perfeita vem da própria fala de Caio: foram 15 anos de experiência condensados em duas semanas de código. O tempo de desenvolvimento foi curto porque as decisões difíceis já estavam tomadas. Quando você sabe precisamente o que construir, como deve funcionar e para quem serve, a execução técnica se torna relativamente direta.

Ferramentas de vibe coding funcionam como pilotos automáticos sofisticados. Se você simplesmente pedir para criar um painel, receberá algo genérico e provavelmente inadequado. Se você detalhar cada elemento necessário, explicar relações entre componentes, especificar comportamentos esperados, o resultado será surpreendentemente próximo da visão original.

Segurança e Escala na Prática Real

Críticas sobre segurança em plataformas no-code são comuns. A posição de Caio é nuançada. Ferramentas não são inerentemente inseguras. Pessoas sem conhecimento técnico usando ferramentas poderosas criam aplicações vulneráveis. Um desenvolvedor experiente consegue produtos seguros tanto com Lovable quanto com código tradicional.

Plataformas modernas como Supabase incluem proteções automáticas. O sistema detecta configurações perigosas, como permitir que usuários editem dados de outros usuários, e oferece correções via inteligência artificial. Os alertas são claros e as soluções, acessíveis. O problema não está na tecnologia disponível, mas na percepção equivocada de que facilidade de uso equivale automaticamente a segurança.

A comparação é provocativa mas precisa: seria como vender carros de alta performance sem exigir habilitação especial. Qualquer pessoa poderia comprar e acelerar a velocidades perigosas em vias públicas. A tecnologia não é o problema. A falta de conhecimento para usá-la adequadamente é. A solução não é restringir acesso às ferramentas, mas educar usuários sobre práticas seguras.

Questões de escalabilidade seguem filosofia similar. Problemas de escala são problemas bons, indicam demanda real e clientes pagando. A maioria dos gargalos de performance surge de excesso de engenharia, não de simplicidade. Desenvolvedores criam arquiteturas complexas antecipando problemas que talvez nunca aconteçam, enquanto a estrutura simples que resolveria 99% dos casos reais fica negligenciada.

Caio defende começar com monólitos bem organizados. Quando a demanda crescer, os pontos de estresse ficarão evidentes e então você otimiza especificamente essas áreas. Escala deveria ser problema de negócio, resolvido quando necessário com recursos proporcionais à receita. Algumas empresas gastam milhões em infraestrutura porque precisam e podem. Outras deveriam focar em validar produto-mercado fit antes de se preocupar com tráfego que ainda não existe.

Quando um Comentário Casual Vira Fenômeno Global

Ninguém planejou transformar o case em viral. No domingo seguinte ao lançamento, enquanto acompanhava resultados tranquilamente, Caio encontrou uma discussão acalorada no LinkedIn comparando Bubble e Lovable. Algumas críticas ao Lovable pareciam injustas, baseadas em percepções desatualizadas sobre capacidades da plataforma.

Sua resposta foi direta e breve: discordo que o Lovable não serve para projetos profissionais. Mencionou o lançamento recente em três ou quatro frases, sem intenção de gerar repercussão. A reação foi imediata e desproporcional. A equipe do Lovable entrou em contato. Anton Osika, fundador da empresa, compartilhou a história. O tweet alcançou 300 mil visualizações.

O mais revelador foi descobrir que nem mesmo os criadores do Lovable imaginavam esse tipo de uso. Internamente, pensavam que a ferramenta servia para hobbies, experimentos pessoais e landing pages simples. Descobrir que uma empresa estabelecida, com meio milhão de clientes e operações críticas, estava usando a plataforma para lançar produtos comerciais premium mudou a percepção sobre o potencial real da tecnologia.

Esse episódio ilustra uma lacuna comum no mercado. Existe distância considerável entre o que ferramentas conseguem fazer e o que o mercado acredita que elas conseguem fazer. Muitas vezes, os próprios criadores subestimam as aplicações práticas de suas tecnologias porque não têm visibilidade sobre como usuários reais as utilizam em contextos complexos.

A Mudança Organizacional que Ninguém Esperava

Na segunda-feira após o lançamento, a empresa inteira estava perplexa. Uma organização com 300 colaboradores, departamentos estruturados e processos estabelecidos havia acabado de lançar um produto significativo em duas semanas. As áreas de tecnologia, produto e design não haviam sido mobilizadas formalmente. Como isso foi possível?

A reflexão interna foi inevitável e desconfortável. Por que nunca tentaram essa abordagem antes? Todo investimento em tecnologia do primeiro semestre não havia gerado resultado comparável ao de um projeto de duas semanas. As estruturas tradicionais estavam atrapalhando mais do que ajudando?

A transformação subsequente foi radical. O modelo anterior operava com squads fixos trabalhando em roadmaps de longo prazo. Cada time tinha suas prioridades e seu backlog interminável. O novo modelo inverte a lógica: identifica-se o problema estratégico mais importante, reúne-se as melhores pessoas disponíveis independente de área original, resolve-se o problema, desmonta-se o time temporário.

Essa estrutura dinâmica elimina o problema crônico de equipes inventando trabalho para justificar existência. Quando times fixos existem, alguém precisa alimentá-los com tarefas. Frequentemente, essas tarefas são criadas artificialmente, respondendo mais à necessidade de manter pessoas ocupadas do que a demandas reais do negócio. A nova abordagem garante que esforço seja aplicado exclusivamente onde gera impacto mensurável.

Os resultados continuaram além do Elite. O ProUniversitário foi lançado usando a mesma metodologia, alcançando mais de 30 mil estudantes rapidamente. Para sistemas internos, Caio adotou o Lovable como ferramenta padrão, desde soluções pontuais de 15 minutos até plataformas complexas de gestão estratégica.

Aplicativo prouniversitario.com.br do GrupoQ

Conselhos para Quem Quer Replicar o Sucesso

O primeiro conselho é ignorar ruído externo negativo. Toda iniciativa ousada atrai mais críticos que apoiadores. Quando você arrisca capital próprio, tempo e reputação construindo algo novo, haverá sempre mais pessoas apontando potenciais falhas do que celebrando a coragem de tentar. Desenvolva resiliência a esse padrão inevitável.

O segundo conselho envolve usar inteligência artificial como consultora técnica. Em vez de perder tempo em fóruns discutindo teorias sobre segurança ou performance, pergunte diretamente ao ChatGPT ou Claude como implementar práticas recomendadas no seu contexto específico. As respostas são surpreendentemente úteis e economizam semanas de pesquisa fragmentada.

O terceiro conselho é liderar através de exemplo concreto. Se você quer que sua equipe adote novas tecnologias, demonstre domínio usando-as você mesmo em projetos reais. Cobrar inovação enquanto permanece preso a métodos antigos cria dissonância cognitiva e cinismo. Mudança cultural começa pelo topo.

O quarto conselho reconhece o momento histórico único. Nunca foi tão simples construir produtos digitais sofisticados com recursos limitados. Simultaneamente, poucos aproveitam essa oportunidade porque exige sair da zona de conforto e arriscar. Essa combinação cria janela extraordinária para quem age enquanto outros hesitam.

O timing importa tremendamente. Tecnologia é abundante, conhecimento está acessível, ferramentas são poderosas. Mas a maioria das pessoas permanece paralisada por medo ou ceticismo. Essa disparidade entre capacidade disponível e disposição para executar cria vantagem competitiva significativa para quem simplesmente começa.

Além dos Números Impressionantes

Quinze milhões em 48 horas chamam atenção, mas Caio insiste que esse não é o ponto principal. O processo não foi desenhado para maximizar receita imediata. Foi desenhado para maximizar velocidade de aprendizado e validação de valor real entregue aos clientes. Dinheiro surge como consequência natural quando você resolve problemas genuínos de forma eficaz.

A pergunta mais interessante não é quanto faturaram, mas quanto valor agregaram à experiência dos estudantes em duas semanas. A reflexão estratégica questiona: se conseguimos entregar tanto em tão pouco tempo, o que acontece se aplicarmos essa metodologia consistentemente? Onde poderíamos chegar mantendo esse ritmo de experimentação e aprendizado?

Em mercados dinâmicos onde tecnologia e expectativas evoluem constantemente, velocidade de adaptação se torna vantagem competitiva primária. Empresas que testam hipóteses rapidamente, aprendem com resultados e ajustam curso com agilidade superam concorrentes presos em ciclos longos de planejamento e execução.

A lição filosófica final desafia certeza excessiva. Se você só age quando tem todas as garantias, nunca descobrirá verdadeiramente novo. Inovação real exige desconforto com ambiguidade e disposição para errar publicamente. O case Qconcursos exemplifica essa mentalidade: apostar alto em território desconhecido, aprender rapidamente, ajustar conforme necessário.

Conclusão

A história da Qconcursos transcende um case de sucesso isolado. Representa evidência concreta de que desenvolvimento acelerado com inteligência artificial funciona em contextos comerciais reais, não apenas em experimentos acadêmicos ou projetos pessoais. Quinze milhões de reais resultaram de quinze anos de expertise aplicados através de ferramentas que multiplicam produtividade individual.

Para desenvolvedores brasileiros e empreendedores digitais, a mensagem é clara: as ferramentas estão prontas, o momento é favorável, os resultados dependem exclusivamente de você. Vibe coding não substitui conhecimento técnico profundo, mas transforma radicalmente a velocidade com que ideias se tornam produtos testáveis e validáveis.

O maior aprendizado não reside nos números financeiros, mas na transformação organizacional subsequente. Uma empresa de 300 pessoas questionou e reformulou completamente seus processos de desenvolvimento porque duas pessoas provaram que alternativas viáveis existiam. Essa é a verdadeira revolução: não apenas ferramentas mais rápidas, mas mudança fundamental em como pensamos sobre trabalho, equipes e inovação no desenvolvimento de software moderno.

Renato Asse

Renato Asse

Fundador da Comunidade Sem Codar

Renato Asse é fundador da Comunidade Sem Codar, a maior escola No Code e Inteligência Artificial da América Latina, com mais de 25 mil alunos formados.

Eleito o melhor professor de Bubble do mundo (#1), atua como embaixador oficial da Lovable, Bubble, FlutterFlow e WeWeb no Brasil. Pioneiro no setor, criou o primeiro canal de No Code no Youtube no país, alcançando mensalmente mais de 1 milhão de pessoas.